A criação e a evolução das técnicas e dos métodos de operações de produção das empresas sempre estiveram fortemente atreladas aos concomitantes estágios de necessidades específicas e do desenvolvimento técnico-científico e econômico das sociedades que integravam e por eles foram influenciadas, com especial relevância para os aspectos culturais.

Em 1908 na cidade de Detroit, Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, iniciou a produção do automóvel Ford Modelo T. A ideia por trás da produção deste automóvel era produzir um carro que pudesse ser comprado por qualquer um que tivesse um salário que assim o permitisse. Juntamente com o projeto do automóvel, um carro pequeno, forte e simples, foi projetado um processo de produção que o fizesse barato e que pudesse pagar bons salários aos que nele trabalhassem. À época, o automóvel era um bem destinado a pessoas de alta renda, um artigo de luxo destinado a poucos, e a ideia de FORD era vende-lo a todos que pudessem comprá-lo, ou seja, transformar o automóvel em um bem com preço acessível. O sucesso do empreendimento de FORD verificou-se com a produção e venda de 10 milhões de automóveis em 16 anos de funcionamento da fábrica de Rouge e a redução das 728 homens-hora para produzir um carro, média à época, para 1,33 homens-hora.

Em outras palavras, a “ideia” de um carro que pudesse ser comprado por qualquer pessoa cujo salário assim o permitisse provou-se, efetivamente, boa, entretanto, para tal foi decisiva a criação de um “conceito” de processo/produto, a partir de operações de produção, capazes de produzir uma grande quantidade de automóveis por unidade de tempo a custos baixos. FORD é considerado o criador da “produção em massa”.

A produção em massa, produção de muitos bens com pouca variedade (os Modelos T da Ford eram idênticos) e a “economia de escala” foram conceitos fundamentais para as operações de produção industriais ao longo de todo o século XX.

Diferentemente da economia e da sociedade americanas do início do século XX, suas correspondentes japonesas, ao final da Segunda Grande Guerra, viviam uma situação onde a produção em massa da indústria seria impossível de ser empregada na íntegra. Com uma economia combalida, historicamente carente de matérias primas (como aço e petróleo) e com boa parte de seus bens de capital desmobilizados por bombardeios ou pagamento de multas de guerra, a indústria japonesa deparou-se com uma demanda necessitada de, praticamente, tudo e com poucos recursos. Neste cenário, o recomendado não era produzir em massa para uma demanda que, com alguma dose de certeza, haveria, mas sim esperar que a demanda precisasse e então, fornecer. Desenvolvendo-se neste ambiente, a indústria japonesa ao invés de produzir e “empurrar” os produtos para a demanda, esperava que a demanda “puxasse” os produtos de que necessitava, em quantidade e qualidade.

A reboque desta, digamos, nova concepção, foram desenvolvidos os conceitos de qualidade e do desperdício zero como resposta das operações de produção ao cenário de negócios de então.

O conceito de qualidade desenvolvido teve como foco a “adequação ao uso”, ou seja, entregar produtos que os consumidores efetivamente precisassem, estivessem na justa medida de suas necessidades, incluindo a quantidade.

O conceito de desperdício zero (tempo, matérias primas, insumos e produtos) alinhava-se com a carência histórica de matérias primas e insumos de produção e com as perdas que, segundo os japoneses, advinham do processo de produção em massa.

Outras ideias e seus correspondentes conceitos em operações de produção, como função das necessidades e características específicas das sociedades, foram desenvolvidos. Entretanto, ativemo-nos aos casos de Ford e dos japoneses, por terem sido eminentemente inspiradores e transformadores, ou seja, suas filosofias, métodos e técnicas gerenciais, foram definitivamente incorporadas às operações por todo o mundo como modelos de gestão e planejamento de operações a serem seguidos.

 

 

Instrutor Ruy da Costa Quintans

Consultor associado da LCM Treinamento Empresarial

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