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Os limites das proposições de Porter

 

A visão de Porter é considerada limitante e restrita, pois desconsidera outros pontos de vista importantes na concepção de uma estratégia competitiva. Vejamos a seguir.

De acordo com Mintzberg (1998), Porter trás alguma substância para a discusão do planejamento estratégico mas, seu modelo é prescritivo e deliberado como os demais autores em que ele classifica como pertencentes às Escolas do Planejamento e do Design. É importante destacar que assim como grande parte dos autores associados a Escola do Design, Porter, também não dedica atenção aos valores gerenciais da organização e sua responsabilidade social, não levando em consideração, por exemplo, o impacto das ações do governo no ambiente de atuação da empresa e das forças políticas internas.

Para Mintzberg, Porter desconsidera o aprendizado estratégico e a estratégia emergente, como se estes não existissem e, ainda insiste em uma necessária cadeia de causalidade, como se tudo nas organizações fosse previsível e determinado. A defesa de Porter sobre o caráter distintivo da estratégia acaba por condenar ações como Benchmarking e agrupamentos estratégicos, esquecendo, em relação ao primeiro, da alta perecibilidade de uma Vantagem Competitiva por serem estas, passíveis de cópia. Em relação ao segundo, diminuindo o seu valor e desconsiderando o sucesso de conhecidas ações integradas entre grupo de empresas.

A estratégia entre os setores público e privado é outra abordagem também desconsiderada por Porter e, que se apresenta de forma bastante contundente, ao se entender que precisamos considerar que as estratégias entre estes setores são impulsionadoras dinâmicas da Vantagem Competitiva.

Ao acreditar que o poder público deve estar ausente do mercado, não aborda em seus conceitos o envolvimento dos Governos como fator relevante na elaboração de uma estratégia para que uma empresa alcance uma Vantagem Competitiva. Em muitas sociedades a parcela de mercado nas mãos do Governo é suficiente para que este ator seja considerado na formulação estratégica e, ainda não o sendo, resta a questão regulatória necessária para um mínimo convívio dentro de determinadas expectativas, visto os recentes acontecimentos, em que o Governo Americano, maior guardião da livre economia, se vê obrigado a intervir severamente em determinados setores. A seu ver Porter não despertou, ainda, para esta nova realidade.

Igualmente, quando se fala em política (como forma de negociação) a visão de Porter discute a manutenção de uma posição, já conquistada pela empresa, como forma de manter um equilíbrio relativo que lhe seja vantajoso, mas ainda assim “que sejam através de análise sistemática, na avaliação de dados tangíveis e na cuidadosa definição de estratégias” Mintzberg (1998). A discussão da abordagem política se restringe a uma ação posterior, de completmento, e não como uma ferramenta indispensável para a construção de relações em diversas esferas que trarão Vantagem Competitiva para a organização.

O tema da responsabilidade social que tem como consequência atual a criação de empreendimentos que buscam a geração combinada de valor econômico e social é negligenciado por Porter, não destacando esta abordagem como uma forma de obter Vantagem Competitiva.

O fato de Porter considerar a ação estratégica como necessariamente dedutiva e deliberada torna a obtenção de uma Vantagem Competitiva algo extremamente sistemático e analítico, fazendo com que o autor emita posições equivocadas sobre fatos históricos no contexto corporativo, por exemplo, quando mencionou que as empresas japonesas terão de aprender estratégia. Esta afirmação é desconcertante e, até constrangedora para Mintzberg, visto o sucesso de tantas empresas japonesas no cenário internacional.

Mintzberg observa que a contribuição dos funcionários assim como os arranjos organizacionais, para Porter, está ligada ao contexto do negócio, não havendo implicação com a estratégia ou que possam representar uma Vantagem Competitiva. Uma clara visão reducionista em que se cria uma entidade chamada “estrategista”, que deve possuir condições especiais para o controle.

 

Instrutor Antônio Pires Pinheiro

Consultor associado da LCM Treinamento Empresarial ltda